8 de setembro de 2007

Faz bem ou mal?

Meu filho o Gabriel de um ano e sete meses é alérgico a lactose, descobrimos isso quanto ele estava no quinto mês, e fizemos a troca do leite em pó por leite de soja, ouve uma melhora considerável já na primeira semana ingerindo alimentos a base de soja. Meu marido também é alérgico e só descobriu isto, depois de uma bateria de exames, passou por três médicos, chegando à hipótese de ser estresse ou psicológico, em uma consulta no pediatra do Gabriel, descrevi os sintomas e o médico levando em conta o histórico familiar, diagnosticou a alergia, por isso resolvi publicar este estudo sobre a lactose. Espero que tenha de alguma utilidade.
O que é INTOLERÂNCIA À LACTOSE ?

É a incapacidade de digerir a lactose, resultado da deficiência ou ausência da enzima intestinal chamada lactase. Esta enzima possibilita decompor o açúcar do leite em carboidratos mais simples, para a sua melhor absorção. Este problema ocorre em cerca de 25% dos brasileiros.
Há três tipos de intolerância à lactose, que são decorrentes de diferentes processos. São eles:
1) deficiência congênita da enzima;
2) diminuição enzimática secundária a doenças intestinais;
3) deficiência primária ou ontogenética.

Causas e sintomas
Devido a essa deficiência, a lactose não digerida continua dentro do intestino e chega ao intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, produzindo ácido láctico e gases (gás carbônico e o hidrogênio, que é usado nos testes de determinação de intolerância à lactose). A presença de lactose e destes compostos nas fezes no intestino grosso aumenta a pressão osmótica (retenção de água no intestino), causando diarréia ácida e gasosa, flatulência excessiva (excesso de gases), cólicas e aumento do volume abdominal.
Os sintomas mais comuns são náusea, dores abdominais, diarréia ácida e abundante, gases e desconforto. A severidade dos sintomas depende da quantidade ingerida e da quantidade de lactose que cada pessoa pode tolerar. Em muitos casos pode ocorrer somente dor e/ou distensão abdominal, sem diarréia. Os sintomas podem levar de alguns minutos até muitas horas para aparecer. A peristalse, ou seja o movimento muscular que empurra o alimento ao longo do estômago pode influenciar o tempo para o aparecimento dos sintomas. Apesar de os problemas não serem perigosos, eles podem ser bastante desconfortáveis.

O leite
Cada vez mais a população se conscientiza de que uma alimentação correta é essencial para a obtenção de uma melhor saúde física e mental. Surgem por todo o lado lojas de produtos naturais e muitos supermercados têm uma seção denominada de produtos naturais e mais recentemente produtos biológicos.

Somos alertados pelos órgãos de comunicação social para os perigos em que incorremos quando ingerimos gorduras saturadas sob a forma de carne vermelha e ovos, açúcar refinado ou álcool. No entanto, é interessante verificar que os lacticínios, em especial o leite, são sempre considerados alimento “perfeito” e completo. Fornece-se gratuitamente leite às crianças em idade escolar, existindo mesmo um subsídio estatal para o efeito.
Desde muito pequenos nos ensinam que o leite é o rei dos alimentos e nos dá a proteína e o cálcio necessários para nos fazer crescer. Todos os dias nos são expostos estudos científicos sobre as vantagens dos lacticínios, estudos esses que não ousamos pôr em causa. Mas será que o leite e os seus derivados são alimentos tão benéficos quanto aparentam ser?
Estudos recentes demonstram que o leite além de não ser assim tão benéfico para a nossa saúde pode ser até extremamente prejudicial. A ingestão regular de leite de vaca tem sido associada a uma multiplicidade de desordens, que incluem alergias, asma, otites, problemas do sistema reprodutor tais como infertilidade e impotência, problemas gastrointestinais, agressividade, etc. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos, realçaram também o fato de que as crianças amamentadas com leite materno apresentam coeficientes de inteligência mais elevados do que aquelas que são alimentadas com leite de vaca e derivados. Não podemos menosprezar tais estudos, realizados por eminentes cientistas em todo o mundo. E nem sequer necessitaríamos da colaboração da ciência, se utilizássemos o nosso bom senso: qual o animal, excetuando o homem, que continua a beber leite depois de desmamado?
Porque razão devemos nos alimentar de um produto que foi concebido pela Natureza para nutrir os bezerros? Será que as características fisiológicas de um ser humano são as mesmas de um bezerro? Ao analisarmos as diferenças entre o leite materno e o leite de vaca verificamos que, apesar de ambos parecerem semelhantes em composição, existem entre eles diferenças significativas: O leite de vaca contém três vezes mais cálcio , três vezes mais proteína e dois terços mais hidratos de carbono do que o leite humano.
Estas diferenças são devidas aos diferentes padrões de crescimento a que obedece o crescimento de um bezerro e o de um bebê. À nascença, o cérebro e o sistema nervoso do bezerro estão completamente desenvolvidos, pelo que este necessita de muito mais cálcio e proteína para aumentar a sua estrutura óssea e desenvolvimento muscular. O cérebro do ser humano, contudo, quando do nascimento, só está 23% desenvolvido, sendo os nutrientes contidos no leite materno necessários para completar o desenvolvimento do sistema nervoso central. Enquanto que um bezerro aumenta nas primeiras semanas cerca de 37 quilos, um bebê, no mesmo espaço de tempo, aumenta apenas 1 a 2 quilos. O corpo do ser humano foi concebido para crescer mais lentamente e o leite humano contribui para este processo. Outra diferença, fundamental mas geralmente desdenhada, entre o leite humano e de vaca, é o tamanho ou qualidade das suas moléculas. O leite de vaca contém proteína e outros fatores nutricionais que se podem assemelhar ao leite humano. Contudo, as moléculas do leite de vaca são maiores do que as do leite humano. Uma das possíveis conseqüências de tais diferenças é as crianças alimentadas com leite de vaca se tornarem física e emocionalmente mais passivas e dependentes. O leite humano também fornece anticorpos que evitam a proliferação de bactérias e vírus indesejáveis, imuniza o corpo contra doenças e infecções, promove glóbulos brancos fortes (células T que destroem bactérias prejudiciais) e produz B. bifidum, um tipo único de bactéria, que se encontra nos intestinos dos bebês, criando resistência a uma variedade de microrganismos. Já nos anos trinta estudos governamentais indicaram que as crianças amamentadas com leite materno tinham um índice de mortalidade infantil significativamente inferior ao das crianças amamentadas com leite de vaca.
Existem também certos fatores nutricionais que não devemos menosprezar ao considerarmos os lacticínios como alimento apropriado para seres humanos. A proteína do leite de vaca e a do leite humano são diferentes: a primeira é denominada caseína, e a segunda lactalbumina.
Apesar de o leite de vaca conter uma quantidade de proteína superior à contida no leite humano, esta é de difícil assimilação pelo nosso sistema digestivo, coagulando com freqüência e provocando problemas digestivos, dos quais o mais comum é a diarréia. A proteína do leite humano é de muito mais fácil digestão e assimilação. No que respeita a gorduras, as contidas no leite de vaca e em produtos como o queijo ou o iogurte são saturados e de difícil digestão, contribuindo para um aumento de colesterol e ácidos gordos, substâncias que estão diretamente relacionadas com a elevada incidência de doenças cardiovasculares e cancro.
Interessante também acerca dos lacticínios é o fato de a lactose, um açúcar simples contido no leite, necessitar para ser digerida de uma enzima produzida nos intestinos, denominada lactase. A lactase, geralmente, só é produzida até aos dois, quatro anos de idade, ou seja, durante a idade da amamentação. Apesar de em algumas raças a lactase ser produzida mesmo após os quatro anos de idade, isto acontece numa percentagem muito pequena da população, nomeadamente em povos que ingerem grande quantidade de lacticínios há muitos anos, e cujos sistemas digestivos estão completamente transformados, assemelhando-se aos sistemas digestivos dos ruminantes, criando mesmo uma espécie de rúmen característico destes animais.
Todos os pontos até aqui apresentados deveriam ser suficientes par a nos fazer refletir se o consumo de produtos lácteos nos traz na realidade benefícios ou não. Mas consideremos também o modo como o leite moderno é tratado, e a forma como os animais são alimentados e medicados (alimentação altamente artificial destinada a fazê-los produzir a maior quantidade de leite possível e medicação com antibióticos para tratar das infecções que esta alimentação lhes provoca.). Nos anos setenta, nos Estados Unidos, foi feita a experiência de alimentar alguns bezerros com leite comercial de vaca, verificando-se que todos eles morreram após algumas semanas. As conclusões a retirar da experiência são demasiado evidentes para que seja necessário explicá-las.
Freqüentemente ouvimos dizer que os lacticínios são os principais detentores de cálcio, quando há muitos outros alimentos com quantidades de cálcio superiores, raramente mencionados, talvez por não estarem associados com este moderno mito e não darem tão grandes lucros aos seus produtores. Alimentos como os vegetais verdes de rama ou as algas marinhas, utilizados na alimentação tradicional de muitos povos e que possuem propriedades nutritivas assaz grandes, têm quantidades de cálcio mais que suficientes para satisfazerem as nossas necessidades diárias.
Além disso, é mais importante a forma como assimilamos o cálcio do que propriamente a quantidade ingerida. É interessante notar que os países do mundo onde há uma maior incidência de osteoporose (enfraquecimento dos ossos por falta de fixação do cálcio) são precisamente aqueles onde existe um maior consumo de cálcio na forma de lacticínios. Existem tribos na África, onde as mulheres ingerem quantidades diminutas deste mineral, têm em média 9 filhos, que são por elas amamentados, e morrem por volta dos 80 anos, com toda a dentição e sem qualquer vestígio de osteoporose. Estudos mais recentes indicam que a forma como metabolizamos o cálcio está diretamente relacionada com a quantidade de proteína animal que ingerimos.
Assim, uma alimentação com um elevado teor de proteína animal, como é a alimentação moderna, afeta o metabolismo do cálcio, fazendo com que este mineral seja eliminado através da urina ou utilizado para neutralizar uma condição sangüínea mais ácida provocada pelo excesso de proteína.
A resposta para a osteoporose seria então uma alimentação com muito menos proteína e não necessariamente uma ingestão maciça de cálcio.
Fonte de Pesquisa:

7 comentários:

Som Do Silêncio disse...

Olá!

Realmente é muito importante estarmos informados sobre estas pequenas grandes coisas.

Um Beijo Grande e Bom fim de semana

Ana disse...

Cheguei a meio e nem quis ler mais!! Aliás, vou fingir que nem li! Hehe!

Eu adooooooro leite, devooooro leite, muuuiito leite, um exagero de leite por dia! Sem ele, nem me sinto bem!Aliás, quando tenho sede, em vez de água bebo leite!

Eu sei que devia ter atenção a tudo isso que referiste neste texto, mas há coisas que prefiro nem saber...

Bjinhos

ELEFANTE disse...

Olá.
olha muito interessante seu texto, realmente hoje muitos alimentos estão comprometidos em função da cobiça humana que visando somente o lucro se vale de artificios artificiais, que ao longo do tempo causarão doenças, como o câncer por exemplo que vem aumentando ano a ano, principalmente em função dos alimentos cheios de impurezas que consumimos.

Blog do M@rcondes disse...

Nunca esqueço o período em que trabalhei numa das maiores multinacionais do mundo na área de gêneros alimentícios e que tinha como ponto forte a área de laticínios e leites propriamente. Vinham eventualmente da sua matriz na Suíça, especialistas de produto para ministrar cursos e enriquecer o nosso vocabulário com termos técnicos de convencimento não só aos compradores como principalmente a classe médica e aos formadores de opinião. O “negócio” era melhorar os “negócios”. Vender leite de qualquer jeito. Mas lendo o teu texto, me lembrei de um palestrante que um certo dia, numa reunião nos disse: “O leite da vaca é o alimento mais completo que existe ele contém ferro, fósforo, proteínas, vitaminas, sais minerais, cálcio e etc.etc.etc. O leite da vaca é o alimento mais perfeito que existe...(Deu um tempo respirou fundo para criar um certo suspense e completou...) O leite da vaca é a grande dádiva alimentícia...Para o bezerro”. E nós rimos e ele confirmou. Alguns povos nos chamados países baixos e algumas famílias no norte da Itália passam a vida inteira consumindo leite sem ter problemas. Não se sabe por que, mas o organismo deles possui uma enzima que degrada e permite que o leite seja absorvido e por conseqüência faça bem. As demais pessoas sofrem com o leite. Até a adolescência ele ainda é tolerável, mas depois passa a ser um tormento. E são inúmeros os casos de intolerância já nos primeiros dias da infância. Ai só com leite de soja ou outra alternativa. O melhor mesmo é o leite materno.

Paulo disse...

E pronto, temos uma familia de celiacos, o que em termos financeiros, não é muito bom mas...

Alessandra disse...

Cara,
Gostaria de saber mais a respeito do leite. O fato é que adoro e mesmo que de maneira reduzida, gostaria de continuar tomando.

Regina disse...

Estou procurando dados sobre leite de vaca ser benéfico ou não para adultos e cheguei no seu blog... nem li a matéria, li seu perfil primeiro, e pensei: "puxa, que pessoa bacana!", deve ser muito bom ter ao lado como mãe ou amiga uma pessoa como ela!

Parabéns por vc ser quem vc é!

Um abraço;
Regina